sexta-feira, 5 de abril de 2013

I Fórum MAR de Palhaços


O I Forum MAR de Palhaços acontecerá em


Salvador-Ba nos dias 13. e 14 de abril de 2013 visa discutir os princípios, objetivos, metas, desenvolvimento e criação de uma estrutura de gestão do movimento, bem como políticas públicas para circenses de rua. 

É o momento também de oficializar a entrada de novos integrantes. abaixo segue programação e release do evento.
Para se inscrever preencher o formulário de inscrição I Fórum MAR de Palhaços



NÃO CONTAMOS COM NENHUM TIPO DE APOIO, ENTÃO PARA A HORA DO LANCHE CADA UM TRAZ O SEU E COMPARTILHAMOS TODOS.


PROGRAMAÇÃO
Sábado, 13 de abril -Conselho de Desenvolvimento da Comunidade Negra - CDCN. Endereço Rua Ribeiro dos Santos (Rua do Passo), 42 - Pelourinho http://goo.gl/maps/1Pe0B
8:30h - recepção e credenciamento
9h - concentração e apresentação do fórum
10h - intervalo para respirar, comer, conversar, namorar etc e tal...
10:15h - discussão da carta de princípios
11:30h intervalo
14h - criação de quadro de metas
15h - criação de comissões e coordenações
16:30 - chuva de idéias sobre possíveis políticas públicas de incentivo ao circo
17h - encerramento e preparação para intervenção coletiva de domingo
Domingo, 14 de abril - PARQUE DE PITUAÇU
9:30h concentração no Parque de Pituaçu
10h início abertura de roda de rua do MAR de Palhaços
11:30h bate papo/trocas de experiências sobre benefícios e dificuldades da arte de rua

RELEASE DO FÓRUM MAR DE PALHAÇOS

Desde 2010 um intento vem se consolidando na terra. A formação de um movimento que extrapolasse os muros dos palhaços individuais, grupos, cias e coletivos para um compartilhamento cada vez mais expandido de palhaços que encaram sua prática de maneira cotidiana, como um modo de vida, como estratégia de sobrevivência econômica e espiritual neste mundo.

Em Salvador, assim como em outros lugares do Brasil e do Mundo, muitos palhaços encaram a rua como principal local de atuação e o que inicialmente começou a ser chamado de Movimento Abre-Rodas passou a se denominar MAR de Palhaços: inicialmente encarávamos a rua como o lugar para abrir rodas e apresentar nosso espetáculo, mas aprendendo com outros artistas de rua passamos a compreender a existência de outros modos que podem fortalecer a busca por se manter com a arte, como sinaleira e ônibus por exemplo. 

Por pura poesia, considerando nosso encontro com o céu no horizonte, passamos a nos denominar MAR que também é uma sigla que representa não só Movimento de Abrir Rodas (a função mais especial) como Movimento de Arte de Rua.

Entendemos que assim como a arte do palhaço, a arte de rua merece sua pesquisa. Ambos caminhando lado a lado constroem benefícios para todos. A rua é a estrada para o infinito e o palhaço é a humildade e generosidade, valores que correm o risco de serem extintos no planeta-sociedade.

Se o planeta está doente, nós somos os anti-corpos e estamos interferindo diretamente na cultura. O que cultuamos? A filosofia do bobo, do perdedor feliz, daquele que se deixa ser roubado e quanto mais faz isso mais enriquece. E onde disseminamos essa arte? Não há limites!!! 

Desta maneira intentamos que o MAR é um movimento de formação de novos soldados, consolidação de territórios ocupados e ocupação de novos territórios. Vamos juntos enraizar palhaço no planeta, plantar árvores de narizes vermelhos e colher o fruto em nossos chapéus cheios de reconhecimento do público da importância do riso e da função do palhaço.



segunda-feira, 25 de março de 2013

RUA DAS ARTES:fechando a temporada de MARÇO



Terça, 26/03, acontece o ÚLTIMO dia da temporada de MARÇO do Rua das Artes. Em MAIO tem "Rua das Artes Itinerante" em algum outro bairro de Salvador (surpresa!) e em JUNHO o encontro volta a ser todas as terças, na praça do Campo Grande. E antes que a saudade apareça, aproveitem para se juntar a nós nessa terça que está chegando. \o/ Lembrando também que essa é a semana de aniversário de Salvador, então vamos mostrar que ocupar os espaços públicos com arte é importante para transformação dessa nossa Soterópolis. Vamos prestigiar a arte, colorir a vida, deixar leve os corações!#ruadasartes #mardepalhaços



quarta-feira, 20 de março de 2013

Rua das Artes: um presente para Salvador


*Por Larissa Uerba
[Foto: Rua das artes de 19/03 por Tulio Triviño]
Daqui a pouco o Rua completa um ano. Desde junho de 2012 foram vários meses ocupando a praça do Campo Grande, em Salvador, ininterruptamente às terças-feiras.

Ontem nossa tarde/noite foi especial, agora trabalhamos com temporadas (bom pra gente, bom para o público, para todos), e fazia um certo tempo que não tínhamos uma terça tão marcante. E não que seja por mérito de algo ou alguém, a não ser mesmo do nosso crescimento por todo esse tempo que temos nos dedicado a esse encontro, sim, haja dedicação. 

Todo o investimento, todo valor arrecadado na passagem de nosso chapéu vai para o Rua das Artes, ninguém ganha cachê individual. Tudo é investido na compra de materiais para oficinas e treinos livres, para divulgação do evento (comunicação visual) e também em materiais complementares (maquiagem, estrutura etc). 

Semana que vem é a última terça dessa temporada onde estaremos homenageando também a cidade de Salvador, que faz aniversário nessa mesma semana. Esperamos sinceramente que esse encontro seja mais um presente para cidade, e que vá além de contatos da Saltur para entrarmos em sua 'agenda especial de aniversário'. Que seja uma janela para mostrar que em nossa cidade a arte de rua, de circo, do PALHAÇO brota e tem gerado lindos e fortes frutos, que as políticas públicas não sejam/venham só 'incentivo', e sim enquanto reconhecimento de um trabalho social importantíssimo dentro de uma sociedade. 

E sigamos, avante, que o espetáculo não pode parar! Haja MAR, haja Rua, haja arte. Um amor imenso por cada um dessa família que luta todo dia bravamente, e sem perder jamais a capacidade de rir de si, com o outro, da vida. Amor com humor é segredo de vida longa.

quinta-feira, 14 de março de 2013

MAR de Palhaços, o que é?

* Por Caxambó
Neste mês de março demos continuidade ao Rua das Artes Encontro de Circo. Algumas modificações: resolvemos fazer por temporada. Paramos depois da primeira temporada 2013 (Janeiro), por causa do recesso do carnaval e logo em seguida daremos uma pausa para esperar o tempo de chuvas passar, para voltar no final de maio e início de junho.

Porém, em abril, no primeiro final de semana, faremos o I Fórum do MAR de Palhaços no intuito de arrumar a casa e criar um intento coletivo. Estamos no caminho preparatório para firmar este caminho inédito. Objetivo principal? Gerar uma união de artistas de rua para fortalecer nossa função através de um intento coletivo. Iremos discutir a carta de princípios do MAR de Palhaços, trocar experiências,  organizar-nos enquanto movimento, discutir possíveis políticas públicas e redigir uma carta para ser levada ao Colegiado Setorial de Circo da FUNCEB.

Terça passada tivemos mais um avanço no intento do MAR. Recebemos um artista de rua no nosso Rua das Artes Encontro de Circo,  o José, que encontramos na sinaleira semana passada quando estávamos numa função coletiva. Convidamos ele que veio dar uma palhinha no palco aberto. Depois, no final do Palco nos reunimos para trocar retornos sobre a função e tivemos uma conversa que pra mim foi inspiradora...

Foi a primeira vez que o José, apresentou no palco aberto. Apesar de ser um circense virtuoso e qualificado o único campo de trabalho explorado por ele até então tem sido a sinaleira, onde ele tem uma experiência de anos e ao apresentar no palco aberto percebemos a falta de um manejo específico para roda de rua. 

Ao nos reunirmos percebemos que Alê que tem a mesma dificuldade de José é o cara que maneja experientemente a intervenção artística no ônibus e também tem muito a aprender na sinaleira. E eu que manejo bem a roda de rua, estou iniciando minha pesquisa em ônibus como campo de trabalho e tenho muito a aprender sobre a sinaleira...e dos presentes tínhamos Carla, Lari, Nelson , Álvaro, Meliza, Rêgo, Luna, Zaife, Zedi...todos com suas virtuoses e suas buscas.

Afinal não é isso que buscamos no MAR de Palhaços? Uns têm muito a passar pra gente e nós também temos o que passar para os outros. Ainda há trocas em potencial que podem enriquecer e fortalecer a todos nascendo no horizonte.

Assim, está ficando cada vez mais claro que o MAR de Palhaços hoje não se resume mais a Movimento Abre-Rodas, nem a Movimento de Arte de Rua. O MAR de Palhaços é um movimento solidário onde exercitamos a humildade, quando nos colocamos como aprendizes, e a generosidade, quando nos colocamos como mestres.

Todos somos eternamento mestres-aprendizes uns dos outros e isso é acompanhado de um sentimento que aperta o peito, que nos faz explodir de alegria e prazer, quando percebemos nossa irmandade seguindo conosco lado-a-lado, subindo a montanha, pegando atalhos juntos, um empurrando o outro e atraindo mais irmãos para juntos fortalecermos cada vez mais nossa função e aumentarmos mais nossas possibilidades de alçar vôo.

Juntos podemos criar nossa realidade e transformar o MAR em um oceano de amor e voar sobre ele rumando eternamente ao infinito, em plena liberdade.

sexta-feira, 5 de outubro de 2012

um domingo no parque

*Por Ale Carvalho
Domingo passado no Parque de Pituaçu aconteceu o espetáculo do Grão de Circo Pé na Terra. Como o quiosque estava ocupado com um evento, nós fomos cortejando de lá até a frente do parque chamando as pessoas a participarem do espetáculo. Já nessa hora, rolou uma conexão maravilhosa de amor e alegria entre a cia e o público, o que é super válido, já que o caminho do palhaço remete a conexão de almas a partir dos olhos, na minha singela opinião esse um caminho para a mesma.

 Adultos, crianças e crionças fizeram questão de levar os pés no coração, e quando paramos no local escolhido para ser o do espetáculo, o arrastão que nos seguiu já havia se tornado uma multidão ansiosa. Sim, mas o público é como um jardim e precisa ser regado para não morrer. Isso ficou a cargo da música e principalmente das brincadeiras dos palhaços Zédispeto e Caxambó, o branco e o augusto na cena. Os corações das pessoas iam aos olhos de tão brilhantes e as palmas foram se tornando cada vez mais constantes. 

Os transeuntes  paravam só para ver o que eram aqueles bichos esquisitos fazendo esquisitices e eram envolvidos por aquela esfera de amor. Os dois palhaços continuaram a apresentação, dessa vez com malabares. Foi lindo também, e engraçado demais. Nessa hora o público já ia ao delírio. As crianças e os seus pais se divertiam como se fossem todos da mesma idade. 
Pronto, a palhaça Didi Siriguela invadiu a cena para um amistoso pingue-ponge de piolho com o seu companheiro caxambó. Depois de muitas piolhadas, e cada vez mais gente agregando a roda, aconteceu algo magnífico. 

O quê? A mágica. Oh! Mágica? Sim. Isso mesmo. O mágico Coringa deixou todos perplexos com dois números incríveis. Em seguida, em meio a muita música, Caxambó e Zédispeto voltaram a cena, dessa vez com um número clássico, o abelha-abelhinha, com direito a mel na boquinha e tudo. 
E quase pra finalizar, foi passado o chapeu, que mais que uma tradição é um ato político. Houve o número de finalização, maravilhoso como os outros, o que ficou refletido nos olhares e sorrisos do público, um jardim agora repleto de rosas de todas as cores, gardênias, girassóis e cravos, pois naquela hora contada de espetaculo, um ínfimo se comparado as horas de suas semanas como pessoas "normais" esses seres tiveram a felicidade de ter as almas regadas pelo amor dos palhaços e artistas presentes no local.

Com certeza em suas semanas e para sempre lembrarão daquele acontecimento apoteótico como eu lembro do brilho de cada um daqueles olhares nos amando. Nada é por acaso e aquele encontro também não foi, afinal, também fomos e somos regados. A cada pequena ação como essa a realidade muda um pouco na vida das pessoas e no mundo. Somos transformadores. Eu sou, você é. O primeiro passo é acreditar. 

domingo, 26 de agosto de 2012

A dor e o prazer em ser palhaço: uma questão de atitude.

*Por Igor Caxambó (Cia Pé na Terra)



Rua das Artes Encontro de Circo é, como o próprio nome revela, um encontro que envolve arte circense e arte de rua, tudo ao mesmo tempo.  Este encontro é organizado pelo MAR de Palhaços, um movimento que engloba vários palhaços independentes e representantes de grupos. Mas, logo de saída, por que um encontro de circo, organizado por um movimento de palhaços?

Venho aqui falar de princípios. Em primeiro lugar, um princípio do artista denominado palhaço, é a versatilidade artística, o que casa perfeitamente com a versatilidade exigida pelo cotidiano do artista de rua.  Em segundo lugar, o princípio essencial do Rua das Artes Encontro de Circo está na história de seu surgimento: Palhaços que passaram a se encontrar para exercício e capacitação crescente da nossa função, que tem sido a de palhaço de rua, o que por sua vez exige um busca por excelência artística dentro da diversidade típica das artes circenses e principalmente na história do palhaço.

Buscando humildemente crescer nos nossos fazeres artísticos, também precisávamos de um encontro permanente para nos vermos, elaborarmos, movimentarmos e exercitarmos nossa generosidade de palhaço. Enfim para podermos exercer nossa função de amar e nos fortalecer, gerar espaço de trocas e qualificação.

Nos fortalecer significa que para viver com o prazer a que nos propomos é exigido de nós um esforço extra em relação à nossa atitude energética diante da vida. Precisamos ter a disposição de um guerreiro para não sucumbir diante das dificuldades. Dizem que para viver de arte aqui no Brasil tem que estar preparado para abnegação. Mas abnegação de quê? Respondo logo: de um modo de vida baseado na espetacularização da sociedade, ou seja, da mercantilização do cotidiano que significa a banalização da sociedade de consumo.

 Na realidade abnegação, se é que existe, vem antes, não como um esforço, mas como algo natural de quem se conscientizou de como é superficial e infeliz toda nossa relação social baseada no consumo, no "ter" ao invés do "ser" , no eterno desejo e nunca no prazer e satisfação. Como nossas relações sociais estão poluídas com idéias ilusórias de quem realmente somos!!!

O palhaço é uma exposição da nossa essência , sem criação de máscaras sócio-comportamentais. Para isso é preciso coragem, a coragem de se arriscar, de se jogar para vivenciar o prazer da plena presença, mas correndo o risco de vivenciar a dor de estar presente, enfrentar a insistência da ausência do outro.

Nós um dia optamos sair desse marasmo: casa – shopping- escola ou: Casa – trabalho – bar. Muitas pessoas vivem hoje a segurança em detrimento da própria liberdade. Tudo bem que uma pessoa queira uma determinada estabilidade financeira, um mínimo de conforto e segurança para si e sua família. A questão é que a sociedade em geral ( e olhe que não estou dizendo TOTAL), está engessada na sua própria segurança, autodefesa e acomodação. Pobres, pobres, pobres!!! Com medo de arriscar-se não compreendem nem a sujeira do canto da unha do dedo mindinho do pé esquerdo do que estão realmente perdendo. 

Através da atitude de encarar uma batalha e desafios, nós artistas -palhaços enfrentamos a morte a cada dia, porque a cada dia observamos nossas transformações dizendo adeus aos nossos antigos vícios. Cada vez que arriscamos nos doar generosamente para um público, ou enfrentar um palco aberto, estamos colocando nossa dignidade à prova. Temos que empenhar uma energia para sairmos vivos e se sairmos...ah!!!E se sairmos!!! Saimos outros totalmente diferentes.

 A cada morte, um renascimento. Nossa essência vai assim rompendo as cascas que nossa educação escolarizada criou na nossa corporeidade. PAssamos a compreender que o natural é sentir dor e prazer e que ISSO É VIVER!ISSO É NATURAL!!!Como fomos afastados de nós mesmos! Pra retornarmos pode não ser fácil, mas pode ser também, é uma questão de atitude.